Minha viagem para a Índia e os reflexos em 2009

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Após quase um ano, escrevo um post sobre a viagem que fiz para a Índia, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que trouxe mudanças que refletiram por todo o ano. Fazendo um balanço de tudo que passou em 2009, vejo quanta coisa mudou e, ao contrário de outros anos, tenho uma nítida percepção de transformação.

A saga começou um mês antes do embarque, com a vacina contra a febre-amarela (obrigatória para tirar o visto no Consulado da Índia). No final de 2008, eu vinha de uma maratona profissional cujo stress baixou minha imunidade e, após a vacina, tive reação alérgica e uma febre moderada. Melhorei assim que pisei em solo indiano, o que já mostrava um bom sinal do que viria pela frente.

Viajei com minha esposa e fizemos uma grande jornada espiritual por lá. Naquele momento, a Índia estava sob grande tensão com o Paquistão e, por lá, só se ouvia sobre este assunto. Antes da viagem, tivemos pressão familiar, recomendando que não embarcássemos. Imagino que seja o mesmo quando um estrangeiro vem ao Brasil, ao ouvir notícias sobre a violência daqui.

Constatei também um preconceito subliminar com os muçulmanos. Em todos os vôos na Índia e no Qatar, onde fizemos escala, sempre havia várias pessoas que pareciam personagens de documentários sobre terroristas, que nos causava julgamento e até medo. Vi como a mídia reduz nossa percepção de um país, religião ou qualquer outra coisa, a apenas uma dimensão (violência, guerra, pobreza, etc).

Primeiro, ficamos duas semanas em retiro no sul da Índia, em Kerala, no ashram (monastério) da Amma, mestra espiritual indiana. Lá, além de todas as práticas de meditação, yoga e serviço voluntário, tivemos uma total desconexão com os padrões de vida ocidentais. A ausência de estímulos de consumo e da vida material, trazia nossa percepção para um tipo de felicidade mais autêntica, ligada ao equilíbrio interior.

Depois, fomos ao norte, para Delhi e Agra. Antes, passamos também por Kanyakumari, no extremo sul, onde o Oceano Índico encontra-se com o Mar Arábico.

Achei impressionante a diversidade do país. A cada dia, fui conhecendo a beleza cultural e espiritual que permeia toda a Índia. Porém, pra enxergar isso, temos que mudar o mindset e ver o que há por trás da simplicidade naquela multidão de 1.3 bilhões de pessoas numa área territorial menor que o Brasil.  Por todo o país, encontram-se igrejas, mesquitas e templos. Conheci hindús, muçulmanos, sikhs e católicos. No sul, em Kanyakumari, um grupo de jovens sikhs (eles usam uns turbantes pontudos), me abordou para tirar foto comigo (talvez passem poucos descendentes de orientais por lá). Na hora, pensei que seria assaltado ou tentariam algum golpe, mas não houve nada.

A última semana da viagem teve um roteiro mais turístico. Conheci o Taj Mahal e o Red Fort, em Agra, que impressionam pela opulência e riqueza. Em seguida, passei alguns dias na capital, Nova Delhi, uma metrópole também de contrastes.

Na Índia, segui uma dieta vegetariana e, voltando ao Brasil, aconteceu um fato curioso: continuei vegetariano. Digo que foi um fato curioso pois sempre fui um fã de carnes. Era do tipo que frequentemente consumia um Ribs on the Barbie do Outback, churrascos, peixes (base da comida japonesa), etc. Tentei por duas vezes comer, logo ao retornar, mas nunca mais desceu.

Minha lição com a viagem foi perceber como, no dia-a-dia, principalmente profissional, vivemos imersos numa espécie de matrix e perdemos o contato com nossa essência que é onde se encontra a felicidade.

Este post, offtopic dos temas que escrevo no blog, é uma necessidade que sinto de falar um pouco de crenças e valores, que são a base de tudo em nossas vidas. E, afinal, um blog é pra falar sobre quem somos, não é? :-)

Foto do post: Óculos de Gandhi, no Memorial de Gandhi, em Nova Delhi.

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