O evento da Microsoft SOL e a formação do ecossistema de startups no Brasil
Na 4a feira, 18/11, estive presente no evento da Microsoft SOL, programa de apoio ao desenvolvimento de startups digitais, co-organizado pelo Startupi, site que cobre startups brasileiras, e pelo Hub São Paulo, espaço de eventos e trabalho colaborativo.
Mais do que descrever o evento, compartilharei um pouco da minha percepção sobre o momento que vive o mercado de tecnologia e internet no Brasil. Pra mim, está claro que há um movimento de organização do ecossistema de startups, com grandes players como a Microsoft, incubadoras e investidores (angels e VCs), ordenando e formando uma cultura que facilitará o surgimento de novas tecnologias e atrairá mais talentos empreendedores.
Durante o evento, lembrei-me muito de um post recente do Fred Wilson, venture capitalist americano, onde ele fala sobre o tempo, experiência e paciência necessários para a consolidação de ecossistemas que favoreçam o surgimento de novos negócios, citando como exemplo o tempo que levou para Silicon Valley, New York e Boston consolidarem seus hubs de startups.
Falando de internet no Brasil, os grandes casos de sucesso estão ligados a três segmentos: provedores, portais de conteúdo e e-commerce, onde muitos começaram na época pré-bolha. Mas, esses empreendimentos, apesar de estarem num mesmo contexto e momento histórico, são iniciativas isoladas.
O que acontece agora é diferente e representa uma mudança cujos resultados veremos a médio e longo prazo, através da "inclusão digital" de empreendedores que tem projetos, mas a falta de capital, influência e rede de contatos, impedem que potenciais negócios saiam do campo das idéias.
Este movimento servirá também para incentivar ainda mais as iniciativas em centros de excelência em todo o Brasil, como o CIETEC, Centro de Informática da UFPE, Sapiens Parque em Florianópolis, etc.
Voltando ao evento, vimos o lançamento do programa BizSpark One, uma nova etapa do programa BizSpark, fornecendo plataforma tecnológica (Microsoft, é claro), e, agora, acesso a investidores e outros benefícios.
A agenda foi bem dinâmica e o Hub proporcionou o ambiente perfeito para a iniciativa.
O programa foi aberto pelos organizadores e apoiadores do evento: Diego Remus, do Startupi, Silvia Valadares, da Microsoft SOL e idealizadora do evento, Osvaldo Barbosa, diretor de serviços online da Microsoft, e Maria Piza, do Hub SP.
Os palestrantes foram:
- Marcos Tanaka, CEO da Boo-Box, startup que desenvolveu um sistema de publicidade para mídias sociais, já teve cobertura da mídia especializada nos EUA, e tem a Monashees Capital como investidor.
- Jonny Ken, criador do Migre.me, sistema de encurtamento de URLs que cresceu muito em função da popularidade do Twitter. Com o sucesso do Migre.me, também recebeu aporte de capital e deu origem a KingoLabs, onde desenvolve produtos voltados a métricas e business intelligence em mídias sociais.
- Mervyn Lowe, CEO da P3D, startup que desenvolveu um sistema de animação 3D para o segmento educacional. O projeto foi incubado no CIETEC, financiado por um amigo angel-investor e, numa rodada seguinte, por um fundo baseado em Londres.
- Eric Acher, sócio da Monashees Capital, fundo de venture capital que tem a maior parte de seu portifólio formado por empresas na área de tecnologia e educação.
Alguns destaques nas palestras:
- No geral, as palestras mostraram que estas empresas já ajustaram seus produtos a seus mercados e estão na fase de expansão de clientes e receitas.
- Osvaldo Barbosa falou que o programa BizSpark gerou nos EUA startups como o Yammer, que venceu o concurso TechCrunch50 em 2008.
- Marcos Tanaka chegou na Boo-Box para ajudar a refinar o modelo de negócios da startup, após a criação do produto pelo fundador, Marco Gomes.
- Jonny Ken, um figura, falou que se chegasse um investidor com uma mala-preta cheia de dinheiro, não saberia o que fazer para estruturar seu negócio, por isso, chamou sócios com competências complementares foi convidado por Paula Signorini e Maria Carolina, sócias com competências complementares, para montarem a KingoLabs.
- Mervyn Lowe disse ter buscado investidor fora do Brasil por ter conseguido um valuation mais favorável, conseguindo assim, continuar no controle de seu negócio.
- Eric Acher deixou claro que venture capitalists devem focar em construir empresas e pensar a longo prazo e não simplesmente fazer `deals`.
Finalizo parabenizando, principalmente, a visão da Silvia Valadares, que está ajudando a costurar uma colcha de retalhos que está alavancando todo um movimento empreendedor que transcende a própria empresa que ela representa, a Microsoft, e, brevemente, dará grandes frutos.