Ben Self e O Efeito Obama

Benself

Hoje, estive presente na palestra de Ben Self, o estrategista da campanha na internet de Barack Obama. A palestra faz parte do evento "O Efeito Obama", organizado pela The George Washington University, e patrocinado pelo Grupo Santander Brasil.

O uso da internet virou papo de boteco de políticos aqui no Brasil. Agora, até assessor de suplente de vereador quer ter sua rede social, seguidores no Twitter e mensagens virais. Muitos olham para o case Obama e percebem apenas o aspecto externo do negócio: usar a internet, e pronto.

Muitos acham, eu inclusive, que o Obama se elegeria com ou sem internet, afinal, ele representava a esperança de mudança após o trágico governo de Bush. Era o sujeito certo, na hora certa.

Saí da palestra com uma pulga atrás da orelha. Ben Self, sócio da Blue State Digital, uma agência com foco em planejamento e desenvolvimento de plataformas digitais para campanhas políticas, foi apresentado como o estrategista da campanha digital de Obama. Mas, há meses, comprei uma edição da FastCompany, cuja matéria de capa trazia Chris Hughes, um dos fundadores do Facebook, com a chamada "The Kid Who Made Obama President". Desde então, fiquei com a imagem dele como principal protagonista na campanha digital do presidente americano.

Ao reler esta matéria hoje, vi que o quadro é um pouco diferente. Vamos aos fatos:

No início de 2007, Jim Brayton, diretor de internet do então senador Barack Obama, contratou Joe Rospars, sócio de Ben Self na Blue State Digital, para coordenar a divisão de novas mídias da campanha presidencial. Em seguida, contratou Chris Hughes, pela sua experiência em redes sociais e sua paixão em querer colaborar no projeto.

Rospars cuidou da infra-estrutura e desenvolvimento e Hughes exerceu o principal papel estratégico na gestão do portal MyBarackObama.com, por onde comunidades se mobilizavam e doações eram captadas. Ben Self não é mencionado na matéria e, aparentemente, não estava envolvido no dia-a-dia da campanha.

Sobre a apresentação de hoje, seguem alguns destaques:

  • Em 2007, a equipe de Obama iniciou o cadastro de militantes, formando uma grande base de e-mails, que serviram de ponto de partida para a construção do relacionamento com o futuro presidente.
  • As redes sociais funcionaram como ferramentas para comunidades se engajarem de forma independente, criando eventos e arrecadando fundos.
  • Mais de US$500 milhões foram arrecadados através da internet (de um total de US$770 milhões de doações da campanha).
  • O e-mail foi enfatizado como ferramenta importante na comunicação.
  • O site Fight the Smears foi criado para funcionar como um grande FAQ, respondendo a rumores e notícias falsas sobre o candidato.
  • Fizeram uma estratégia com o Adwords, do Google, comprando palavras-chave ligadas às notícias polêmicas sobre Obama, e direcionando os anúncios às páginas de destino no Fight the Smears, com as informações corretas.
  • Ben Self enfatizou: Não importa a ferramenta, o importante é a mensagem e o engajamento das pessoas. Pessoas gostam de pessoas, de histórias relevantes e memoráveis (parecia Seth Godin falando).
  • Por fim, falou também sobre a vantagem da internet permitir micro-testes e medir os resultados. Desta forma, a campanha era ajustada a todo momento.

Perguntado sobre rumores de sua participação na campanha de Dilma a presidência, ele desconversou. Fez o mesmo quando perguntaram quanto sua empresa ganhou na campanha de Obama.

A palestra valeu a pena. Ben Self entende de estratégia e tecnologia. Mas, pela matéria da Fast Company que mencionei acima, ele não foi o principal protagonista na campanha digital do presidente americano.

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