16/03/2010

Man in the Arena: Meu videopodcast com Miguel Cavalcanti

Em janeiro deste ano, gravei com o Miguel Cavalcanti um piloto de um videopodcast sobre mundo digital, produtividade online e empreendedorismo, temas que também palestro e escrevo aqui no blog. A produção teve apoio do Luiz Murillo e, hoje, publicamos este teste: o episódio #000.

Desde o final de 2009, já vinha conversando com o Miguel sobre a idéia de produzirmos um videocast no estilo do Diggnation, Random e afins. Queremos gravar episódios mensais e planejamos também entrevistar alguns empreendedores.

Este episódio beta tem vários pontos a melhorar. Temos que estruturar melhor as pautas, ganhar fluência no vídeo e encurtar o tamanho dos episódios (acho que, no máximo, 20 minutos, com uma edição mais dinâmica). Mas, como um projeto startup, o objetivo era lançar e iterar, melhorando o produto a cada versão.

Ah, e por quê batizamos o videocast de Man in the Arena? No dia da gravação, falávamos sobre o famoso discurso de Roosevelt, que resumidamente diz: "... o crédito é para o homem que está na arena, cujo rosto está coberto de poeira, suor e sangue, que erra, falha, mas luta para acertar...". A essência do discurso é perfeita para todos que lutam a cada dia para empreender, aprender e crescer.

Abaixo, um trecho do discurso, transcrito do original em inglês:

"It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat."

Espero que acompanhem os episódios e estamos abertos às críticas e sugestões! ;-)

Aqui, links do vídeo em HD no Blip.tv e no Vimeo.

Nota: No dia da gravação, tivemos a ilustre presença do Eduardo Carvalho, que também já publicou um post em seu blog sobre o videocast.

16/02/2010

Resenha do livro Presentation Zen, de Garr Reynolds

Presentation-zen-bookA popularização das conferências do TED e das palestras do Steve Jobs, lançando novos produtos da Apple, ajudaram a impulsionar um novo mercado: o design de apresentações. Empresas como a Duarte Design, cresceram focando exclusivamente no planejamento e criação de apresentações de alta qualidade, como a utilizada pelo Al Gore no documentário "Uma Verdade Inconveniente".

Nesta onda, surgiram também vários livros, como o Presentation Zen, do Garr Reynolds, que ensina os passos para a criação de apresentações que fujam do tradicional e cansativo documento de PowerPoint repleto de tópicos em bullet points.

Nesta semana, finalizei a leitura do livro e gostei muito do conteúdo. O próprio Reynolds diz que o livro não é uma metodologia, e sim, um novo approach para criação de apresentações que se tornem memoráveis.

Abaixo, listo e comento os principais tópicos abordados no livro:

Introdução

Logo no início, conhecemos Garr Reynolds, um designer que, morando e dando aulas e consultorias no Japão, escreveu este livro inspirado em conceitos de design somados a filosofias orientais que ensinam a simplicidade como forma de clareza e elegância. Reynolds deixa claro a necessidade de uma apresentação ter equilíbrio entre informação (fatos e dados), com emoção (estórias que envolvam o público).

Planejamento

O livro prega a necessidade de, em primeiro lugar, planejarmos o conteúdo de uma apresentação de forma analógica. Apenas depois de descobrir qual a mensagem principal a transmitir, pesquisar e coletar dados, e desenvolver uma ordem estrutural, devemos ir ao computador para criar slides. Reynolds fala que devemos buscar inspiração nos documentários, onde um tema é desenvolvido através de fotos, vídeos e narração.

Um ponto citado algumas vezes no livro é que uma apresentação deve ser composta por três elementos:

  • Discurso: A narrativa que deve conduzir o público, com informações, estórias e emoção.
  • Slides: Recurso multimídia que ilustra e complementa o discurso do apresentador.
  • Documento para entregar: Contendo uma síntese do que foi apresentado, com texto, referências e bibliografia.

O autor cita que muitas palestras falham por usarem os slides como documento de leitura, com excesso de informações que repetem o discurso do apresentador, tornando a apresentação cansativa e monótona. Para evitar este problema, crie um documento separado para entregar ao público, contendo textos e dados.

Design

Vários princípios de design são citados e amplamente ilustrados no livro, mostrando como aplicar, na prática, cada técnica.

Abaixo, algumas técnicas citadas para criação de slides:

  • Reduza o excesso de informações num slide. Evite usar cabeçalhos, rodapés e o logotipo de sua empresa nos slides, que reduzem a área útil para o contéudo, diluindo o impacto da informação.
  • Não use gráficos em 3D.
  • Use imagens de qualidade (e não o clip art do PowerPoint ou Keynote).
  • Use espaços vazios para maior elegância e clareza na disposição da informação.
  • Use o contraste entre os elementos para destacar a informação mais importante do slide.
  • Experimente alinhar o conteúdo de um slide de forma assimétrica.

Delivery

Nesta seção, após o planejamento e criação do conteúdo, o autor fala sobre os três principais elementos para o sucesso da apresentação:

  • Awareness (presença/consciência): Aqui, ele recorre aos princípios da filosofia oriental, orientando a não pensar em preocupações e fatos passados ou futuros, que distraem e tiram a conexão com a atividade presente, dificultando o envolvimento com o público.
  • Preparação e ensaio: Reynolds cita a fluidez, conforto e entusiasmo nas apresentações do Steve Jobs. A naturalidade é o resultado de muito treino, que faz a apresentação parecer "fácil".
  • Menos é mais: Finalize as apresentações um pouco antes do tempo programado. Deixe o público satisfeito, mas com uma sensação de "quero mais".

Conclusão

As dicas do Presentation Zen são úteis para todos os profissionais que fazem apresentações. Logo após a leitura deste livro, encomendei na Amazon mais dois livros na mesma linha: Slide:ology e The Presentation Secrets of Steve Jobs, além de começar a estudar mais as funcionalidades do Keynote, que uso para fazer minhas apresentações. Nos próximos meses, escreverei a resenha destes livros.

Boas apresentações para todos!

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Presentation Zen
Autor: Garr Reynolds
Nota: 4/5
Lido em: 15/02/2010
ISBN: 0321525655
Link na Amazon

12/02/2010

Vídeos da semana: Eike Batista, Jamie Oliver e Kevin Rose

Nesta semana, assisti a três vídeos que gostei muito. Cada um falando sobre assuntos distintos e igualmente fascinantes: negócios, nutrição e tecnologia. Seus protagonistas foram: Eike Batista, Jamie Oliver e Kevin Rose.

Vamos a eles:

Entrevista de Eike Batista ao Charlie Rose

O talk show do Charlie Rose é um conceituado programa de entrevistas nos EUA. Com seu background negro e a famosa mesa oval de carvalho, o entrevistador recebe grandes personalidades do mundo dos negócios, política e entretenimento.

Na última segunda-feira, dia 8 de fevereiro, o polêmico empresário-magnata brasileiro Eike Batista esteve por lá, numa entrevista muito interessante, onde ele falou sobre sua vida e sua missão de construir a infra-estrutura do Brasil do futuro. Por consequência, pode se tornar o homem mais rico do mundo (na entrevista, projetou um patrimônio pessoal de US$ 100 bilhões em 10 a 15 anos).

Ao redor de todo seu sucesso, há boatos sobre informações privilegiadas, imbróglios ambientais, excesso de marketing em negócios que ainda não estão consolidados, etc, mas é inegável a visão e convicção nas quais Eike estrutura seus empreendimentos. Seu papo convence, muito.

Clique na imagem abaixo para ver a entrevista.

Eike Batista


Jamie Oliver no TED 2010

Há uns 10 anos, vi pela primeira vez o Jamie Oliver no programa The Naked Chef, no canal People and Arts. Na época, ele era um garoto simpático ensinando suas receitas mediterrâneas em mais um programa de gastronomia.

Nesta última década, vários chefs viraram estrelas de TV, mas Jamie Oliver criou, consistentemente, uma carreira sólida, com vários trabalhos interessantes.

Nesta semana, ele palestrou e foi um dos vencedores do prêmio TED 2010, falando sobre educação alimentar para crianças. Sua crítica à indústria do fast-food e a necessidade de incluir alimentação fresca e saudável para todos, foi bem interessante.

Veja a palestra abaixo:



Kevin Rose analisa o Google Buzz

Um dos assuntos desta semana foi o Google Buzz, uma mistura de Friendfeed com Pownce, isto é, uma ferramenta para compartilhar, em tempo real, fotos, vídeos, links, idéias, tweets, etc. Será que precisamos de mais uma plataforma para compartilhar conteúdo? Eu, particularmente, não estou inclinado a usar o Buzz.

No vídeo abaixo, Kevin Rose, angel investor e fundador do Digg, analisa a necessidade do Google em ter mais informações, em tempo real, do que acontece na web. Vale a pena ver sua visão sobre o mercado de real-time search.

Veja abaixo o vídeo:

12/01/2010

Meus 5 pilares para performance pessoal

No final de 2009, ao avaliar meu ano e planejar 2010, vi que precisaria ter uma disciplina considerável para conseguir atingir as metas propostas. Equilibrar uma tonelada de demandas na vida profissional (empreender e gerenciar negócios e projetos), com a vida pessoal, principalmente para os casados e com filho(s), torna a missão quase impossível se não houver um planejamento claro.

Porém, para ter disciplina para cumprir as diversas tarefas diárias (e procrastinar menos), precisaria de mais energia física e foco. Então, resolvi listar os cinco pilares que servirão de base para uma melhor performance física e mental para este ano que promete ser repleto de desafios e crescimento.

1. Alimentação saudável

Nos últimos meses de 2009, dei uma boa descuidada na alimentação. Como sigo a dieta vegetariana, é necessário uma disciplina ainda maior para manter um equilíbrio nutricional e, em função da ausência de carnes, qualquer descuido leva a um consumo excessivo de carboidratos, frituras e demais alimentos pesados, para trazer uma sensação de saciedade.

Voltei a um padrão mais equilibrado, reduzindo o consumo de cafeína (que estava consumindo em excesso e, aliás, tive uma semana péssima de abstinência após o corte), e diminuindo também o consumo de laticínios, devido a uma intolerância moderada a lactose que tenho.

Em geral, sigo os princípios da dieta ayurvédica para meu dosha (tipo físico), e o nível de energia, disposição física, e qualidade do sono, aumentaram muito.

2. Exercício físico

Após 15 anos de exercícios físicos regulares (academia, corrida, tênis, yoga), 2009 foi o ano mais sedentário da minha vida. Este fator, aliado a má alimentação, baixou drasticamente meu nível energético.

Minha proposição neste ano é praticar, pelo menos, 3 atividades físicas por semana. Voltei a correr e, em fevereiro, retorno à academia. Acho que terei uma sensação parecida com este tweet do Rodolfo Araújo. No segundo semestre, farei algumas provas de corrida de 5 e 10K, apenas para motivar os treinos.

3. Meditação

Se eu fosse escolher qual a principal atividade que me traz equilíbrio diário, escolheria, sem titubear, a prática diária de meditação. Desde 2006, pratico regularmente uma técnica de meditação chamada IAM (Integrated Amrita Meditation Technique).

A meditação funciona como um reboot mental diário, reduzindo a frequência cerebral e, em última instância, trazendo relaxamento e equilíbrio.

Vejo que, no mundo corporativo, há uma tendência de realizar treinamentos baseados em meditação e de psicologia transpessoal. Sobre meditação, o Marcos Rezende, do blog Insistimento, lançou um e-book introdutório a meditação para profissionais.

4. Sono

Para mim, equilibrar as horas de sono é, de longe, o principal desafio dentre os listados aqui. Sempre tive uma tendência a ser notívago e ter dificuldade em levantar muito cedo. Como empreendedor, sem "hora para bater o cartão", o risco de perpetuar este padrão é enorme.

Após algumas experiências, inspiradas por um post do Tim Ferriss, aprendi que funciono bem dormindo 6h/noite (aproximadamente 4 ciclos ultradianos completos, de 90 minutos cada).

Algumas regras que adotei para melhores noites de sono são: após às 22h, não checar e-mails e evitar atividades de planejamento que impliquem em pensamento futuro (que trazem ansiedade). Evidentemente, cumprindo os itens 1 a 3 acima, a qualidade do sono aumenta, e muito.

5. Sonho

Aqui, não estou falando do sonho que ocorre quando estamos dormindo. Refiro-me à necessidade de termos um sonho e uma visão clara de onde estamos indo. No passado, sempre achei um chavão de "auto-ajuda" quando algum autor referia-se a visualização de sonhos. Porém, vejo que, em tempos passados, eu não tinha isso muito claro, e vim a tê-los após uma década de experiência profissional.

O que isso tem a ver com performance pessoal? Só com sonhos e visões muito claras, consigo ter a motivação necessária para enfrentar todos os desafios do dia-a-dia profissional, que trazem muitas gratificações, mas também, muitos obstáculos.

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Vejo que, aliando os pilares citados acima, com técnicas de produtividade, haverá uma maior probabilidade de entregar mais resultados, em menos tempo. No mínimo, é uma tentativa prática de equilibrar todos os papéis que exerço na vida. Uma frase que sempre repito (acho que é a terceira vez num artigo): "Workaholismo pode ser, muitas vezes, sinal de improdutividade."

16/12/2009

#VivoTwittando: O evento certo, na hora certa

Vivotwittando

Acabo de chegar do evento #VivoTwittando, iniciativa da Vivo lançando seu serviço de SMS para publicar mensagens no Twitter, e reunindo num painel: Marcelo Tas, Rosana Hermann e Juliano Spyer, com moderação do Marcelo Tripoli.

A discussão foi muito boa e o evento foi na medida, no momento e para o público certo. Destaco a visão do Tas, que vê o Twitter como uma ferramenta sem precedentes para dialogar e monitorar reputação. Aliás, é a ferramenta perfeita para medir a repercussão - instantânea - de qualquer evento. O Tas citou vários exemplos de como ele interage com seus fãs e telespectadores do CQC, e citou: "O Twitter não tem limites e vai muito além dos 140 caracteres, com os links para matérias, fotos, vídeos, etc".

Legal também uma citação do Spyer: "Quando eu acabei de escrever o livro (e-book sobre Twitter), minha mãe perguntou o que era o Twitter, e eu não sabia como responder".

E é assim mesmo. Quando me perguntam o que é a ferramenta, sempre paro pra pensar e nunca dou uma resposta boa. Não é IM (instant messaging), não é microblog, não é rede-social e, ao mesmo tempo, é um pouco de cada um. A Rosana Hermann falou: "é uma rede de informação, instantânea".

Uma ótima intervenção do Tripoli foi: "As mídias sociais tiram a embalagem das marcas e colocam as pessoas face-to-face, para dialogar".

Um dos destaques, apesar de não ser uma novidade, foi o telão atrás do palco, com os live-tweets, cobrindo a hash-tag #VivoTwittando. Houve momentos engraçados, com o público brincando e tirando sarro dos palestrantes. A Rosana citou que sentia como se estivessem fazendo "chifrinhos" por trás dela.

Sobre o novo serviço de SMS para publicar tweets, o Tripoli jogou esta questão ao painel: "Vocês acham que o público adolescente twitta pouco por dispositivos móveis por muitos não terem acesso aos smartphones e, com o serviço de SMS, diminuirá a barreira para twittar por qualquer celular?".

No geral, o pessoal concordou que haverá maior adesão ao Twitter, mas eu tenho uma observação: Twitter por SMS é apenas uma via de uma mão... não dá pra ver mensagens e interagir, que é a principal funcionalidade da ferramenta.

No final, houve o sorteio de 5 Blackberries 8520, e houve um #fail: O software usado para sortear não funcionou e estava pegando nomes por ordem alfabética. Pra resolver, usaram um método analógico, mas nada que tenha comprometido o sucesso do evento.

Parabéns à Vivo pela iniciativa e agradeço ao Alexandre Inagaki pelo convite.

Disclaimer: Sou cliente Claro :-)

09/12/2009

De 2009 para 2010

Timewarp

Há alguns dias, comecei a revisar como foi meu ano de 2009, o que desejo para 2010, e fui anotando no Evernote. Hoje, ordenei tudo em várias pequenas listas que mostram as conquistas, novos hábitos, buracos de improdutividade e mais.

Acho que documentar estas listas no blog será como um registro em cartório, servindo como referência para minhas ações em 2010. No próximo ano, voltarei a este post com frequência!

Vamos às listas:

Meus hábitos improdutivos:

  • Hábito de multi-tasking por falta de definição de prioridades.
  • Micro-gerenciar os colegas no trabalho, por falta de processos que guiem o workflow.
  • Tarefas operacionais tomando muito tempo, ao invés de realizar mais atividades estratégicas.
  • Checar e-mail várias vezes ao dia.
  • Excesso de visitas diárias às redes sociais (no meu caso, Twitter e Facebook).

Hábitos a incorporar:

  • Voltar a ter disciplina para fazer exercícios físicos (nunca estive tão sedentário).
  • Melhorar a disciplina de horários (principalmente para dormir e acordar).
  • Melhorar a disciplina para escrever artigos. Aprendi que escrever é uma questão de hábito e não de inspiração.
  • Criar espaço para ler mais livros.
  • Documentar e otimizar continuamente os processos nos negócios.

Boas novas em 2009:

  • Minha primeira filha nasceu!
  • Mantive disciplina na prática diária de meditação.
  • Tornei-me vegetariano após viagem a Índia (me fez muito bem).
  • Comecei a palestrar sobre marketing digital e produtividade online.
  • Iniciei uma coluna no Portal Administradores (por indicação do Rodolfo Araújo).
  • Cortei o uso de Messenger para bater-papo com amigos (buraco gigante de improdutividade).
  • Desliguei o push-mail no celular.
  • Comecei a estudar e tocar tabla.

Pequena lista de desejos para 2010:

Ferramentas que "pegaram" no meu dia-a-dia:

05/12/2009

Minha viagem para a Índia e os reflexos em 2009

Gandhi2

Após quase um ano, escrevo um post sobre a viagem que fiz para a Índia, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que trouxe mudanças que refletiram por todo o ano. Fazendo um balanço de tudo que passou em 2009, vejo quanta coisa mudou e, ao contrário de outros anos, tenho uma nítida percepção de transformação.

A saga começou um mês antes do embarque, com a vacina contra a febre-amarela (obrigatória para tirar o visto no Consulado da Índia). No final de 2008, eu vinha de uma maratona profissional cujo stress baixou minha imunidade e, após a vacina, tive reação alérgica e uma febre moderada. Melhorei assim que pisei em solo indiano, o que já mostrava um bom sinal do que viria pela frente.

Viajei com minha esposa e fizemos uma grande jornada espiritual por lá. Naquele momento, a Índia estava sob grande tensão com o Paquistão e, por lá, só se ouvia sobre este assunto. Antes da viagem, tivemos pressão familiar, recomendando que não embarcássemos. Imagino que seja o mesmo quando um estrangeiro vem ao Brasil, ao ouvir notícias sobre a violência daqui.

Constatei também um preconceito subliminar com os muçulmanos. Em todos os vôos na Índia e no Qatar, onde fizemos escala, sempre havia várias pessoas que pareciam personagens de documentários sobre terroristas, que nos causava julgamento e até medo. Vi como a mídia reduz nossa percepção de um país, religião ou qualquer outra coisa, a apenas uma dimensão (violência, guerra, pobreza, etc).

Primeiro, ficamos duas semanas em retiro no sul da Índia, em Kerala, no ashram (monastério) da Amma, mestra espiritual indiana. Lá, além de todas as práticas de meditação, yoga e serviço voluntário, tivemos uma total desconexão com os padrões de vida ocidentais. A ausência de estímulos de consumo e da vida material, trazia nossa percepção para um tipo de felicidade mais autêntica, ligada ao equilíbrio interior.

Depois, fomos ao norte, para Delhi e Agra. Antes, passamos também por Kanyakumari, no extremo sul, onde o Oceano Índico encontra-se com o Mar Arábico.

Achei impressionante a diversidade do país. A cada dia, fui conhecendo a beleza cultural e espiritual que permeia toda a Índia. Porém, pra enxergar isso, temos que mudar o mindset e ver o que há por trás da simplicidade naquela multidão de 1.3 bilhões de pessoas numa área territorial menor que o Brasil.  Por todo o país, encontram-se igrejas, mesquitas e templos. Conheci hindús, muçulmanos, sikhs e católicos. No sul, em Kanyakumari, um grupo de jovens sikhs (eles usam uns turbantes pontudos), me abordou para tirar foto comigo (talvez passem poucos descendentes de orientais por lá). Na hora, pensei que seria assaltado ou tentariam algum golpe, mas não houve nada.

A última semana da viagem teve um roteiro mais turístico. Conheci o Taj Mahal e o Red Fort, em Agra, que impressionam pela opulência e riqueza. Em seguida, passei alguns dias na capital, Nova Delhi, uma metrópole também de contrastes.

Na Índia, segui uma dieta vegetariana e, voltando ao Brasil, aconteceu um fato curioso: continuei vegetariano. Digo que foi um fato curioso pois sempre fui um fã de carnes. Era do tipo que frequentemente consumia um Ribs on the Barbie do Outback, churrascos, peixes (base da comida japonesa), etc. Tentei por duas vezes comer, logo ao retornar, mas nunca mais desceu.

Minha lição com a viagem foi perceber como, no dia-a-dia, principalmente profissional, vivemos imersos numa espécie de matrix e perdemos o contato com nossa essência que é onde se encontra a felicidade.

Este post, offtopic dos temas que escrevo no blog, é uma necessidade que sinto de falar um pouco de crenças e valores, que são a base de tudo em nossas vidas. E, afinal, um blog é pra falar sobre quem somos, não é? :-)

Para ver fotos da viagem, visite o álbum em meu perfil do Facebook.

Foto do post: Óculos de Gandhi, no Memorial de Gandhi, em Nova Delhi.

26/11/2009

Como trabalhar com esta vista?

RJ

Nesta 4a feira, dia 25/11, palestrei sobre marketing e tendências na internet para o grupo de CEO's do Vistage, organização mundial de coaching para altos executivos. O evento foi no Hotel Marina Palace, no Leblon, Rio de Janeiro. A foto acima foi tirada da janela da sala de convenções, no 25o andar. Que diferença da vista dos prédios de São Paulo...

22/11/2009

O evento da Microsoft SOL e a formação do ecossistema de startups no Brasil

MS-SOL

Na 4a feira, 18/11, estive presente no evento da Microsoft SOL, programa de apoio ao desenvolvimento de startups digitais, co-organizado pelo Startupi, site que cobre startups brasileiras, e pelo Hub São Paulo, espaço de eventos e trabalho colaborativo.

Mais do que descrever o evento, compartilharei um pouco da minha percepção sobre o momento que vive o mercado de tecnologia e internet no Brasil. Pra mim, está claro que há um movimento de organização do ecossistema de startups, com grandes players como a Microsoft, incubadoras e investidores (angels e VCs), ordenando e formando uma cultura que facilitará o surgimento de novas tecnologias e atrairá mais talentos empreendedores.

Durante o evento, lembrei-me muito de um post recente do Fred Wilson, venture capitalist americano, onde ele fala sobre o tempo, experiência e paciência necessários para a consolidação de ecossistemas que favoreçam o surgimento de novos negócios, citando como exemplo o tempo que levou para Silicon Valley, New York e Boston consolidarem seus hubs de startups.

Falando de internet no Brasil, os grandes casos de sucesso estão ligados a três segmentos: provedores, portais de conteúdo e e-commerce, onde muitos começaram na época pré-bolha. Mas, esses empreendimentos, apesar de estarem num mesmo contexto e momento histórico, são iniciativas isoladas.

O que acontece agora é diferente e representa uma mudança cujos resultados veremos a médio e longo prazo, através da "inclusão digital" de empreendedores que tem projetos, mas a falta de capital, influência e rede de contatos, impedem que potenciais negócios saiam do campo das idéias.

Este movimento servirá também para incentivar ainda mais as iniciativas em centros de excelência em todo o Brasil, como o CIETEC, Centro de Informática da UFPE, Sapiens Parque em Florianópolis, etc.

Voltando ao evento, vimos o lançamento do programa BizSpark One, uma nova etapa do programa BizSpark, fornecendo plataforma tecnológica (Microsoft, é claro), e, agora, acesso a investidores e outros benefícios.

A agenda foi bem dinâmica e o Hub proporcionou o ambiente perfeito para a iniciativa.

O programa foi aberto pelos organizadores e apoiadores do evento: Diego Remus, do Startupi, Silvia Valadares, da Microsoft SOL e idealizadora do evento, Osvaldo Barbosa, diretor de serviços online da Microsoft, e Maria Piza, do Hub SP.

Os palestrantes foram:

  • Marcos Tanaka, CEO da Boo-Box, startup que desenvolveu um sistema de publicidade para mídias sociais, já teve cobertura da mídia especializada nos EUA, e tem a Monashees Capital como investidor.
  • Jonny Ken, criador do Migre.me, sistema de encurtamento de URLs que cresceu muito em função da popularidade do Twitter. Com o sucesso do Migre.me, também recebeu aporte de capital e deu origem a KingoLabs, onde desenvolve produtos voltados a métricas e business intelligence em mídias sociais.
  • Mervyn Lowe, CEO da P3D, startup que desenvolveu um sistema de animação 3D para o segmento educacional. O projeto foi incubado no CIETEC, financiado por um amigo angel-investor e, numa rodada seguinte, por um fundo baseado em Londres.
  • Eric Acher, sócio da Monashees Capital, fundo de venture capital que tem a maior parte de seu portifólio formado por empresas na área de tecnologia e educação.

Alguns destaques nas palestras:

  • No geral, as palestras mostraram que estas empresas já ajustaram seus produtos a seus mercados e estão na fase de expansão de clientes e receitas.
  • Osvaldo Barbosa falou que o programa BizSpark gerou nos EUA startups como o Yammer, que venceu o concurso TechCrunch50 em 2008.
  • Marcos Tanaka chegou na Boo-Box para ajudar a refinar o modelo de negócios da startup, após a criação do produto pelo fundador, Marco Gomes.
  • Jonny Ken, um figura, falou que se chegasse um investidor com uma mala-preta cheia de dinheiro, não saberia o que fazer para estruturar seu negócio, por isso, chamou sócios com competências complementares foi convidado por Paula Signorini e Maria Carolina, sócias com competências complementares, para montarem a KingoLabs.
  • Mervyn Lowe disse ter buscado investidor fora do Brasil por ter conseguido um valuation mais favorável, conseguindo assim, continuar no controle de seu negócio.
  • Eric Acher deixou claro que venture capitalists devem focar em construir empresas e pensar a longo prazo e não simplesmente fazer `deals`.

Finalizo parabenizando, principalmente, a visão da Silvia Valadares, que está ajudando a costurar uma colcha de retalhos que está alavancando todo um movimento empreendedor que transcende a própria empresa que ela representa, a Microsoft, e, brevemente, dará grandes frutos.

12/11/2009

Online, pero no mucho

Notconnected

Na busca pelo equilíbrio na vida digital, cheguei recentemente a uma conclusão que tem me ajudado muito no dia-a-dia profissional. Hoje, muitos trabalham a maior parte do tempo na frente de um computador e, quando estão em deslocamento, acessam seus dados por smartphones. A pergunta é: como usar as ferramentas tecnológicas a nosso favor, sem as distrações que elas trazem?

Pois bem, percebi que um grande ladrão de foco é estar conectado em serviços digitais que trabalham em "tempo real", como email e messenger. Explico: Se você fica com seu programa de email ou comunicador instantâneo ativo o tempo todo, você está sempre vendo alertas de novas mensagens piscando na sua frente. Para a maior parte das pessoas, isto basta para interromper a tarefa em andamento para ver apenas mais uma inofensiva mensagem que chega. Duvido quando alguém diz que consegue manter o foco no trabalho com uma janela de nova mensagem de messenger piscando no rodapé da tela.

Já no celular, o vilão é o famigerado push-mail: email que chega em tempo real, gerando um alerta a cada nova mensagem. Os smartphones Blackberry popularizaram este recurso que, hoje, pode ser usado em praticamente qualquer celular que acesse emails. Novamente, para muitos, a ansiedade gerada a cada alerta, é mais do que suficiente para, frequentemente, drenar tempo e energia. Por isso, hoje vemos muita gente que "trabalha muito" e, ao final do dia, não produziu nada. Já disse isso em outro artigo: workaholismo pode ser, simplesmente, improdutividade.

Eu, particularmente, uso muitas ferramentas e serviços digitais: email, comunicador instantâneo (apenas com minha equipe de trabalho), smartphone, Twitter, Facebook, etc. Mas, procuro usar a tecnologia a meu favor, e não ter minha agenda interrompida e ditada por ela. Uso cada serviço apenas quando necessário e, quando estou realizando minhas tarefas, procuro desligar tudo.

É claro que há dias onde a distração impera. Porém, com um pouco de disciplina, é possível mudar hábitos e melhorar a produtividade. Uma frase de um autor que admiro, o Tim Ferriss: "Minimum input and Maximum output", isto é, mínima entrada (de informação) e máxima saída (de resultados).

Finalizo com uma outra constatação: - "Pensar grande ajuda a manter o foco e ter disciplina para não perder tempo".

06/11/2009

Quem usa (ou ainda usa)?

Já sinto um pouco de nostalgia quando ouço o termo web 2.0 (que alguns ainda falam em tom de novidade...). O conceito de colaboração, conteúdo gerado pelos usuários, tecnologias como AJAX, etc, estão evoluindo para uma nova etapa, a web semântica, ou web 3.0, mas isso é assunto para outro post.

Tem alguns produtos da web 2.0 que fizeram sucesso por um tempo e, depois, sumiram, perderam popularidade ou viraram sinônimo de breguice (Orkut?). Abaixo, alguns casos:

Delicious
Usei bastante este serviço de social-bookmarking que, depois de comprado pelo Yahoo!, parou no tempo e deixou de ser notícia. Faz tempo que não acesso.

Digg
Este agregador de notícias e links, com popularidade votada pelos usuários, criou a fama de seu fundador, Kevin Rose, e nunca pegou aqui no Brasil.

FriendFeed
Este site fez grande barulho em seu lançamento por ter o Paul Bucheit, criador do GMail, como seu principal fundador. O FriendFeed é um agregador de feeds de redes sociais. Testei uma vez e nunca mais voltei. É um típico produto que faz sentido num plano de negócios mas, na vida real, não cresce como o projetado.

Hi-5
Uma rede social que nunca acessei, mas recebi dezenas de spams até pouco tempo atrás.

MySpace
Faz sucesso entre músicos e artistas em geral mas parece estar caindo em desuso.

Orkut 1
A maior rede social do Brasil e da Índia, foi uma febre em seu lançamento em 2004, todos queriam convite para entrar (tática usada hoje pelo Google Wave e o Novo Orkut), mas, há tempos, perdeu valor entre os influenciadores da web e virou sinônimo de rede para adolescentes e novos incluídos digitais. Por isso, há um êxodo grande para o Facebook e, muita gente, usa o Orkut apenas para ver datas de aniversários dos amigos.

Plaxo
Começou como um serviço na web para agregar dados de contatos, como uma agenda. Evoluiu, mudou e ainda existe, mas não conheço quem use.

Second Life
Uma febre que até trouxe grandes marcas para ações de marketing dentro deste mundo virtual. Caiu bastante em popularidade e não se ouve mais notícias.

Sonico
Essa rede é nova e vem da Argentina. Quem usa? Eu, não.

29/10/2009

4 vídeos sobre empreendedorismo e startups

A cultura de startups nos EUA é fantástica. Há todo um ecossistema que favorece o surgimento de novas tecnologias, produtos e modelos de negócios. Pra mim, que trabalho com internet e TI, é impossível deixar de acompanhar o que acontece em Silicon Valley, principal berço das startups digitais.

Há quatro autores/empreendedores que gostaria de destacar neste tema: o já "clássico" Guy Kawasaki, Tim Ferriss, Paul Graham e Eric Ries. Cada um, no seu estilo, tem algo a ensinar com seu trabalho e obras.

Abaixo, um resumo do que penso sobre cada um, acompanhado de um vídeo de alguma palestra recente. Recomendo a fundadores de startups, de qualquer segmento de mercado:


Guy Kawasaki

Acho que Guy Kawasaki foi o primeiro autor que deu atenção especial às startups. Seu livro "The Art of Start" tornou-se um clássico nas empresas de tecnologia. Seu blog, livros, palestras e negócios foram alavancados pela fama conquistada neste meio.

Nos últimos tempos, acho que ele não tem produzido muito material relevante. Na minha opinião, ele colocou muita energia em sua nova startup - Alltop - que, a propósito, não vejo valor, e diminuiu sua produção como autor.

Porém, é inegável o valor de seus livros e diversos artigos. Veja sua clássica palestra sobre "The Art of Start", em versão 2009, dada no evento Informatics Ventures, em Edinburgo, Escócia:




Tim Ferriss

Este sujeito é um dos meus preferidos. Muitos acham Tim Ferriss um falastrão e a Wired o elegeu como o "melhor auto-promotor de todos os tempos". Tim tornou-se famoso após lançar seu best-seller "The Four Hour Workweek", que alcançou, por um curto período, a posição #1 no The New York Times e no Wall Street Journal.

Eu gosto muito da forma como Tim Ferriss desafia o status quo e propõe, sempre, pensar diferente para conseguir resultados empregando menos tempo e recursos.

Abaixo, uma entrevista a Loic Le Meur, empreendedor serial francês, fundador do Seesmic. Confira e veja no vídeo um pouco do estilo e visão de Tim Ferriss:




Paul Graham

Na época da bolha da internet, Paul Graham, um brilhante analista de sistemas, vendeu sua empresa Viaweb para o Yahoo! e, depois, virou investidor, pintor, escritor e presença constante no universo das startups.

Seus ensaios sobre empreendedorismo, formam o maior e melhor conjunto de textos sobre o assunto que já vi. Estão todos compilados em seu blog.

Veja um vídeo de sua palestra no Startup School de 2008, evento anual organizado pela Y-Combinator, seu fundo/incubadora. A dica deste vídeo foi de Miguel Cavalcanti.




Eric Ries

O caçula desta lista, Eric Ries foi co-fundador de diversas empresas de internet, atuando sempre como diretor de tecnologia.

Recentemente, iniciou o movimento "Lean Startup", ou startup leve, defendendo a necessidade de baixo investimento e rápido desenvolvimento e lançamento de produtos, como forma de aumentar a probabilidade de sucesso de uma jovem empresa. Sua definição de startups é ótima: "Experimentos em ambientes altamente incertos".

Aqui, uma palestra de Eric Ries no Gov Summit 2009:


22/10/2009

Por que aderi ao Inbox Zero

Inbox-zero2

Neste ano, aderi à técnica de inbox zero, ou caixa de entrada vazia. O conceito não é novo e é divulgado por vários autores de produtividade, como David Allen (Getting Things Done), e Merlin Mann (43 Folders). Como o próprio nome sugere, o inbox zero prega que, sempre que verificamos novos emails, deixemos a caixa de entrada vazia.

E, qual a utilidade disso? Estudos dizem que, ao deixarmos os emails acumulando na caixa de entrada, sempre que abrimos o software de email e olhamos para aquela pilha, iniciamos mentalmente um processo de análise das pendências associadas a cada mensagem. Portanto, se checamos email 5 vezes ao dia, e temos, por exemplo, 20 mensagens no inbox, estaremos relembrando pendências por 100 vezes, roubando tempo, energia e foco. O problema se agrava em pessoas hiperativas e com tendência a fazer várias tarefas ao mesmo tempo (o famoso e controverso multitasking).

Aliás, como prega Tim Ferriss, nem devíamos checar emails com tanta frequência, pois ficamos escravos das interrupções e mal conseguimos executar nossas atividades planejadas.

Atualmente, aponto todas as minhas contas de email (6 no total), para uma conta master no Google Apps. Lá, uso um conjunto de filtros, tags e ferramentas do GMail Labs para ordenar a bagunça, de uma forma que nunca vi em outros métodos. Aliás, o GMail, com sua excelente busca, velocidade e recursos, tornou-se uma ferramenta de produtividade excelente para uso profissional. O problema é que, a maior parte das pessoas, não sabe usar um décimo dos recursos.

Resumindo meu processo: ao abrir a caixa de entrada, realizo alguma ação em cada email recebido - deleto, respondo, encaminho ou sinalizo com uma estrela e arquivo, caso seja uma pendência para solucionar depois. Aqui, o segredo é a forma como organizei os filtros e demais ferramentas para fazerem uma triagem inicial, entregando em meu inbox apenas o essencial. O resto, fica devidamente arquivado, estrelado e separado por tags, para processamento futuro (em lote).

Como tudo na vida, é uma questão de insistir no processo até que ele se torne um hábito. Hoje, vejo como a técnica é eficiente ao comparar com amigos e colegas que não aplicam método algum para gerenciar suas mensagens. Frequentemente, vejo caixas de entrada abarrotadas, com emails que se acumulam por meses, e seus donos olhando indefinidamente para as mensagens, claramente pensando em cada uma delas.

Não darei aqui uma lição passo-a-passo de como criei meu método para gerenciar emails, apesar de pensar em escrever um artigo detalhado sobre ele no futuro, se o mood não mudar :-)

Aqui, o ponto em discussão é a necessidade de implementar alguma forma de gerenciar o fluxo de informação que cresce a cada dia, rouba nosso tempo e atenção, e gera ansiedade.

Abaixo, seguem alguns links de ótimos autores que me inspiraram:

Christian Barbosa
David Allen
Merlin Mann
Tim Ferriss

15/10/2009

Ben Self e O Efeito Obama

Benself

Hoje, estive presente na palestra de Ben Self, o estrategista da campanha na internet de Barack Obama. A palestra faz parte do evento "O Efeito Obama", organizado pela The George Washington University, e patrocinado pelo Grupo Santander Brasil.

O uso da internet virou papo de boteco de políticos aqui no Brasil. Agora, até assessor de suplente de vereador quer ter sua rede social, seguidores no Twitter e mensagens virais. Muitos olham para o case Obama e percebem apenas o aspecto externo do negócio: usar a internet, e pronto.

Muitos acham, eu inclusive, que o Obama se elegeria com ou sem internet, afinal, ele representava a esperança de mudança após o trágico governo de Bush. Era o sujeito certo, na hora certa.

Saí da palestra com uma pulga atrás da orelha. Ben Self, sócio da Blue State Digital, uma agência com foco em planejamento e desenvolvimento de plataformas digitais para campanhas políticas, foi apresentado como o estrategista da campanha digital de Obama. Mas, há meses, comprei uma edição da FastCompany, cuja matéria de capa trazia Chris Hughes, um dos fundadores do Facebook, com a chamada "The Kid Who Made Obama President". Desde então, fiquei com a imagem dele como principal protagonista na campanha digital do presidente americano.

Ao reler esta matéria hoje, vi que o quadro é um pouco diferente. Vamos aos fatos:

No início de 2007, Jim Brayton, diretor de internet do então senador Barack Obama, contratou Joe Rospars, sócio de Ben Self na Blue State Digital, para coordenar a divisão de novas mídias da campanha presidencial. Em seguida, contratou Chris Hughes, pela sua experiência em redes sociais e sua paixão em querer colaborar no projeto.

Rospars cuidou da infra-estrutura e desenvolvimento e Hughes exerceu o principal papel estratégico na gestão do portal MyBarackObama.com, por onde comunidades se mobilizavam e doações eram captadas. Ben Self não é mencionado na matéria e, aparentemente, não estava envolvido no dia-a-dia da campanha.

Sobre a apresentação de hoje, seguem alguns destaques:

  • Em 2007, a equipe de Obama iniciou o cadastro de militantes, formando uma grande base de e-mails, que serviram de ponto de partida para a construção do relacionamento com o futuro presidente.
  • As redes sociais funcionaram como ferramentas para comunidades se engajarem de forma independente, criando eventos e arrecadando fundos.
  • Mais de US$500 milhões foram arrecadados através da internet (de um total de US$770 milhões de doações da campanha).
  • O e-mail foi enfatizado como ferramenta importante na comunicação.
  • O site Fight the Smears foi criado para funcionar como um grande FAQ, respondendo a rumores e notícias falsas sobre o candidato.
  • Fizeram uma estratégia com o Adwords, do Google, comprando palavras-chave ligadas às notícias polêmicas sobre Obama, e direcionando os anúncios às páginas de destino no Fight the Smears, com as informações corretas.
  • Ben Self enfatizou: Não importa a ferramenta, o importante é a mensagem e o engajamento das pessoas. Pessoas gostam de pessoas, de histórias relevantes e memoráveis (parecia Seth Godin falando).
  • Por fim, falou também sobre a vantagem da internet permitir micro-testes e medir os resultados. Desta forma, a campanha era ajustada a todo momento.

Perguntado sobre rumores de sua participação na campanha de Dilma a presidência, ele desconversou. Fez o mesmo quando perguntaram quanto sua empresa ganhou na campanha de Obama.

A palestra valeu a pena. Ben Self entende de estratégia e tecnologia. Mas, pela matéria da Fast Company que mencionei acima, ele não foi o principal protagonista na campanha digital do presidente americano.

03/10/2009

Voltando para a Apple

Apple

Em 1987, aos 13 anos de idade, ganhei de meu pai meu primeiro computador. Era um TK-3000 IIe, da Microdigital, uma versão brasileira do Apple IIe.

Lembro-me da configuração até hoje: 320KB de memória (64KB + expansão de 256KB), disk drive de 5 1/4", e monitor de fósforo verde. Depois, viria uma impressora Epson LX300+, matricial.

Eu já gostava muito de informática. Mesmo sem computador, ficava lendo os fascículos de uma série chamada "Microcomputador Curso Básico", e ficava criando programas em BASIC que, depois, testava em computadores de amigos. Depois que ganhei o computador, fiz dezenas de joguinhos e aplicativos. Acho que, dos 13 aos 15 anos, fiquei, em média, 6 horas por dia no computador.

Nos fins de semana, eu chamava os amigos e ficávamos jogando e "trocando" programas. Na época, meu amigo Rodrigo Martinez, que estudava comigo no Pueri Domus, era um Applemaníaco e tinha centenas de softwares, espalhados em disquetes que guardava em caixas de sapato. Anos depois, o Rodrigo estava no grupo que fundou o provedor STI, vendido para a PSINet e, depois, fundou a hospedagem gratuíta hpG, vendida para o iG.

Em 1991, veio a fase do vestibular. Daí em diante, só usei computadores PC. Primeiro, um 386-DX40, depois, um 486-DX4, e vários outros em seguida. Minha vida profissional, em tecnologia, foi toda baseada em PCs e Windows.

Avançando para 2009, todo o hype em torno da Apple estava me atraindo a voltar a "experimentar a maçã". A combinação da plataforma Apple/Intel, o excelente MacOS e as aplicações baseadas na internet, tiraram todas as barreiras que podiam me impedir de largar os truculentos PCs. Então, há 3 semanas, migrei toda a minha vida digital para os produtos da Apple. Deixei meu notebook PC e meu celular Windows Mobile (ugh!), e, agora, estou com um MacBook Pro de 13" e um iPhone 3G (não consegui o GS no plano corporativo da Claro).

Após as primeiras semanas aprendendo as particularidades do Mac, posso dizer que estou 200% satisfeito com a mudança. É, Steve Jobs está certo. A experiência com um produto Apple é diferente, muito mais amistosa e natural. A integração de hardware e software é perfeita e não há experiência parecida com PCs.

E, tem mais um benefício: Não há quem deixe de admirar a maçã brilhando no belíssimo gabinete de alumínio ;-)